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Vôe com a WASP!

Entrevista: Júlio César Bocáter.
A banda WASP é uma lenda dentro do Hard Rock/Heavy Metal americano. Seu polêmico líder e praticamente único membro do WASP concedeu esta exclusiva para nós, antecipando sua vinda ao Brasil, falando do também polêmico The Neon God e dando uma geral na carreira, falando de quase toda a sua discografia! Decifre-o senão ele irá devora-lo!

RU – Blackie, conte-nos um pouco sobre a repercussão das duas partes de The Neon God.
Blackie Lawless – A melhor possível. Esta é a minha obra com maior repercussão desde The Crimson Idol. Sinto que as pessoas estavam esperando uma outra obra conceitual, uma outra Ópera Rock do WASP. Em termos de vendas e crítica tem sido o melhor desde The Crimson Idol.

RU – Como você compara The Neon God com The Crimson Idol, seus dois trabalhos conceituais e com títulos parecidos?
Lawless – Bem… (risos) Você é a primeira pessoa que está me questionando quanto a isso. São duas obras totalmente distintas, mas foi justamente pelo grande sucesso de The Crimson Idol que eu tive o maior cuidado possível para não me repetir em The Neon God...

RU – (Interrompendo) Então você não considera The Neon God como uma obra espontânea? Pois se você teve que tomar cuidados para não repetir personagens e partes da história, então isso lhe tirou muitas idéias iniciais?
Lawless – Exatamente! Só discordo de você não achar The Neon God espontâneo, pois ele é. Apenas pequenos detalhes que realmente tive que mudar para não coincidir com The Crimson Idol. Quanto aos títulos serem similares, simplesmente pelo fato de serem títulos de obras e não de discos apenas, em que você escolhe geralmente a música de trabalho e coloca como título. E também do fato de as duas histórias falarem de “falsos” Deuses e “falsos” ídolos. O “Ídolo Vermelho” e o “Deus de neon" são abstratos, relativos, e como tratei dos temas subjetivamente, ou seja, não dando a resposta, mas fazendo as pessoas pensarem a respeito, então os títulos teriam que ser assim mesmo.

RU – Como você conseguiu dividir The Neon God em duas partes, visto que a obra é uma só?
Lawless – Eu vejo The Neon God como uma coisa só, é uma coisa só. Tivemos que dividir em suas partes pela gravadora achar caro colocar um CD duplo nas lojas. Se fosse um CD duplo, seria separado fisicamente em dois CDs, então a parte 1 o CD 1 e a parte 2 o CD2.

RU – Hoje, o WASP soa muito diferente do que o WASP no passado. No passado, o WASP passava uma imagem satânica, mesmo não sendo, e a música era mais direta, mais Hard Rock. Hoje a música do WASP é muito mais complexa, ainda mais em The Neon God. A que você atribui isso? Apenas evolução como músico?
Lawless – Além de evolução como músico, pois não posso tocar como tocava a 20 anos atrás, o fato de eu mesmo querer abranger uma outra musicalidade. Com o passar do tempo vou ficando exigente comigo e não posso fazer um instrumental simples com uma letra complexa.

RU – Qual é o álbum mais vendido do WASP? Wasp, The Last Command ou Inside Electric Circus, os três primeiros, ou The Crimson Idol?
Lawless – Você errou, não é nenhum deles! (risos) Foi o Headless Children.

RU – Na época do The Crimson Idol, você veio ao Brasil fazer uma promo tour, sendo o primeiro artista internacional a fazer isso no Brasil, ao menos pelo que eu me lembre, dando dezenas de entrevistas, mas não chegou a tocar aqui. Aliás, com mais de 20 anos de carreira você nunca tocou no Brasil. Por que? (Nota do E: esta entrevista foi feita em meados de abril e foi confirmada a vinda do WASP dias após apenas)
Lawless – Lembro dessa promo tour até hoje. Eu fiz aquilo, pois sabia que tinha milhares de fãs aí no Brasil e já via o Brasil como um grande mercado para o Heavy Metal, que foi o que aconteceu. Se eu ainda não toquei aí, isso é culpa dos promotores brasileiros que não acreditam no WASP.

RU – É muito caro fazer um show do WASP?
Lawless – Bem, hoje não é mais. Hoje temos uma equipe técnica e banda menor e menos cara do que já tivemos no passado. Reduzimos o custo justamente para podermos fechar shows com mais facilidade. Hoje somos menos teatrais ao vivo, pois julgo que a música é quem deve falar mais alto.

RU – Vamos dar uma geral na sua carreira? Falar dos quatro primeiros discos, Wasp, The Last Command, Inside Electric Circus e Headless Children e The Crimson Idol é até covardia. Depois, veio Still Not Black Enough, que foi muito criticado. A que se devem essas críticas?
Lawless – Além de ter sido uma fase turbulenta em nossa carreia e ter sucedido um disco de grande expressão, como The Crimson Idol, a cena norte-americana e mundial começava a mudar.

RU – Em Kill Fuck Die mudou o logo, e a música é Industrial, que era a moda na época.
Lawless – Nessa época, Chris Holmes tinha voltado para e banda e ele trouxe esses elementos, que era o que estava curtindo na época.

RU – Depois veio Helldorado, voltando ao estilo tradicional do WASP, e é o meu preferido dos que saíram depois de The Crimson Idol.
Lawless – Sim, nós nos cansamos de experimentações e estávamos afim de fazer o tradicional estilo do WASP. Eu precisava disso para seguir adiante.

RU – Já Unholy Terror é mais pesado, sombrio e cavernoso e Dying For The World soa musicalmente como um pré-The Neon God.
Lawless – Sim, e são estes dois últimos os responsáveis por The Neon God ser tão bom quanto é!